• Chef Ana Tomazoni

Salada do aviador - Portal do Envelhecimento

Atualizado: 14 de fev.

A sugestão do mês é uma salada internacional tradicional simples, a Caesar, conhecida como salada dos aviadores, muito badalada nos cardápios do dia a dia.


Mais um ano sem viajar para visitar os três netos australianos e preparar muita comida brasileira para eles, por conta da pandemia! Meu filho é aviador (piloto) em WA – Austrália. Em memória e homenagem à minha família compartilho com vocês uma salada dos aviadores, famosa e chique. A memória alimentar nos remete importante papel na culinária, influenciando identidades de escolhas alimentares, principalmente relacionados a situações curiosas. Pratos com histórias curiosas contadas ressignificam momentos e nos fazem recriar com alimentos que dispomos na geladeira, sejam com alimentos regionais com técnicas de preparos e mesmo técnicas de servir diferenciadas, sejam até outras opções que se cria no momento.

Cozinhar e comer podem ser narrativas que transmitam memórias e patrimônios culturais.

Neste texto lembramos um prato que surgiu em uma situação de emergência, com aprendizagem de bagagem da cozinha da família, e criada uma versão muito famosa até os dias de hoje. Confira a versão da criação pelo chef Santini. Muitos vão lembrar desta versão clássica dos anos 1990, chamada Caesar Salad, que voltou com força total apenas com pequenas versões de quem prepara.

Seja no verão ou qualquer estação do ano as saladas são sempre bem-vindas à mesa.

Em férias de verão, passei com a família por hotéis com cardápios diferenciados e notei que estava sempre presente, assim como no dia a dia em bares, botecos, restaurantes e lanchonetes, pelo menos em cidades de grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais.

Colaremos a versão clássica e outras que você poderá se inspirar, anotar e preparar no seu dia a dia. Algo que não podemos abrir mão são os ingredientes frescos e de boa qualidade, de preferência orgânicos.

Mas como é essa famosa salada mencionada aqui? Folhas de alface crocantes Romana (ou americana), um molho cremoso, saboroso e marcante – queijo parmesão ralado (normalmente ralado grosso) e croutons. Isso tudo misturado. Quando preparado de forma clássica, é uma explosão de sabores e contrastes inesquecíveis!

Antes da receita, vamos lembrar um pouco da história. Existem algumas versões sobre a origem da Caesar salad. Mas já que estamos falando de clássico vou lembrar daquela que foi criada no México pelo chef Livio Santini, de origem italiana, no final da década de 1930, na cozinha do restaurante do Hotel Caesar’s, propriedade de Cesare Cardini. Depois ficou famosa nos Estados Unidos.

Conta-se que pilotos norte-americanos chegavam ao hotel e pediam uma simples salada. Na falta de tomates ou outros ingredientes típicos, o chef Santini seguiu uma velha receita familiar, do sul da Itália, que sua mãeusava para alimentar a família em tempos difíceis: uma salada romana. A receita continha pedaços de pão fritos com azeite, queijo seco, azeite de oliva, umas gotas de molho inglês e suco de limão. A salada, tendo agradado aos pilotos, foi denominada inicialmente como “salada dos aviadores”; com o tempo, César Cardini registrou-a como sua criação e a divulgou.

De lá para cá a receita vem sendo modificada, podendo ser apreciada com frango grelhado ou assado, com filé de peixe, pão frito, bacon, camarões e muitos outros ingredientes.

Para concluir, como educadora e chef de cozinha, espero que prepare sua versão de Caesar Salad e compartilhe, pois até as grandes redes de Fast Food já criaram sua versão!

Foto: arquivo pessoal

Caesar Salad – Versão original

Croutons 2 xícaras (chá) de pão amanhecido cortado em cubos de 1 cm ou pão de forma 2 colheres (sopa) de azeite de oliva sal a gosto


Modo de preparo


  1. Em uma forma coloque os cubos de pães, tempere com azeite e sal. Leve ao forno 180ºC por 10 minutos ou até dourar. Se quiser faça na frigideira antiaderente em fogo médio. Quando aquecer, regue azeite e acrescente os cubos de pão. Tempere com sal e mantenha em fogo médio por cerca de 5 minutos, mexendo de vez em quando, até dourar. Transfira os croutons para uma travessa e deixe esfriar completamente antes de armazenar ou servir – eles ficam mais crocantes depois de frios.


Dica: Os croutons permanecem crocantes por até 15 dias, armazenados num pote com fechamento hermético em temperatura ambiente. Eles também servem de acompanhamento para outras saladas, sopas ou massas.


Salada Caesar


Ingredientes 1 maço de alface-romana ½ cebola 1 xícara (chá) de maionese de boa qualidade 2 filés de anchova 3 colheres (sopa) de água filtrada ¼ de xícara (chá) de queijo parmesão ralado fino 1 dente de alho amassado caldo de ½ limão raspas da casca de 1 limão 1 colher de mostarda Djon

Sal e Pimenta do reino moída na hora


Modo de preparo:

Higienize as folhas de alface romana e passe na centrífuga para secar as folhas.

Molho: Em um pilão coloque o alho, a anchova e 1 colher de sopa de azeite de oliva, misture bem, bata até formar uma pasta, junte a água aos poucos até torná-lo cremoso, se quiser use multiprocessador. Transfira para uma tigela e junte a maionese, o queijo parmesão, o caldo de limão e a água. Misture bem com uma espátula — se preferir um molho mais fluido acrescente mais água.

Numa tigela grande, rasgue as folhas de alface grosseiramente. Sirva a seguir com os croutons, e o molho especial e queijo ralado em cima decorando!

Existem muitas versões inclusive internacionais, com filé de frango ou de peixe grelhados. Versões também com camarões ou frutos do mar! É uma refeição leve e saborosa!


Sugestão para servir com vinhos brancos pouco alcoólicos e frescos.

Foto: arquivo pessoal


Referências Cesar Cardini Cesar. Creator of Salad, Dies at 60. Los Angeles Times. 5 de novembro de 1956 Frutuoso, Maria Fernanda Petroli; Severo, Amanda Beatriz Almeida; Tavares, Cremilde Martins. Contar, Rememorar e Cuidar: Lembranças Sobre a Comida e o Comer de um Grupo de Idosos em Santos. In: Anais do Congresso Internacional de Humanidades & Humanização em Saúde [Blucher Medical Proceedings, vol.1, num.2]. São Paulo: Blucher, 2014, p. 312.

Foto destaque de cottonbro/Pexels

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